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Thursday, July 31, 2003

A inércia ganhou. Apesar da luta hercúlea que tenho vindo a travar nestes últimos dias contra este sentimento demoníaco, a ínércia ganhou. O calor insuportável simplesmente não me deixa fazer nada... Sinto-me mole e sem vontade para nada. Mas hoje, reparei que não é só a mim que isto acontece... Já no autocarro, as pessoas não parecem as mesmas de sempre. Parecem possuídas... irritadiças... de mal com a vida... como se todos lhe devessem e ninguém lhes pagasse. Eu não sou assim. Prefiro ficar de papo para o ar no sofá a ver a Sic Radical, em vez de suportar o calor brutal que se sente na divisão mais quente da casa, o escritório, por não ter janelas. Por isso, caros companheiros de viagem... vejam com muita atenção o boletim meteorológico das 20:00, porque será esse o barómetro do desenvolvimento deste blog.



Post Scriptum: A par das doações dos óculos escuros, aceitam-se agora ar-condicionados, de preferência acima dos 9000 BTU´s.

Saturday, July 26, 2003

Dia 8

Imposições do quotidiano impediram-me de andar de autocarro, o que significa que não tenho nada de especial para partilhar (assumindo que alguma vez tive, claro). Às vezes penso que o facto deste blog ser um diário das minhas andanças de autocarro, me restringe imenso! Eu tenho tanto para dizer, tanto para deitar cá para fora (porque ninguém tem paciência para me ouvir na vida real) sobre tantas coisas e todas elas tão diferentes, que tornaria este blog numa amálgama sem sentido (uma pequena amostra do que realmente se passa no meu cérebro, por isso é melhor não). Como sou a toda-poderosa aqui do sítio, decidi aproveitar os dias em que por qualquer razão não pude estar com a minha musa e falar do que me apetecer (não se preocupem que não vai acontecer muitas vezes), só porque sim.
Hoje apetece-me falar de uma das minhas bandas favoritas... Os Waterboys. Já tive a sorte de os ver ao vivo. Mágico. Àparte das grandes questões se os Waterboys são uma banda escocesa ou irlandesa (definitivamente celtas!), Mike Scott continua a ter charme para dar e vender (*suspiro*) com uma aura de misticismo inebriante, pelo que o Auto (eu) presta-lhe aqui a sua mais sincera devoção... Aqui fica uma letra que todos aqueles que têm o mínimo de bom senso e de bom gosto (tudo coisas boas) irão certamente gostar. Devo ainda dizer que geralmente não gosto de posts que são transcrições do diz que disse, porque me dá a sensação que é apenas uma boa desculpa para ocupar espaço sem ter que pensar muito, ou melhor, pensando pela cabeça dos outros. No entanto, dou a mão à palmatória. Adoravaaa pensar pela cabeça do Mike Scott...


SPIRIT

Man gets tired
Spirit don't
Man surrenders
Spirit won't
Man crawls
Spirit flies
Spirit lives when man dies

Man seems
Spirit is
Man dreams
Spirit lives
Man is tied, bound, torn
Spirit is free
What Spirit is man can be !


London 1984 or 1985
On "This Is The Sea", "Best Of" and "Live Adventures"


NB: Caros amigos...eu vejo o meu contador aumentar de dia para dia. Mas ninguém deixa mensagens no fórum, nem me envia mails. Ao menos digam mal! Agora, por favor, não me ignorem. Têm o fim-de-semana inteirinho para pensar em alguma coisa para me escrever... Alguma coisa há-de surgir.




Friday, July 25, 2003

Dia 7

Como deverão ter reparado, falhei o post de ontem... Por questões técnicas que me foram alheias, não me foi possível, de todo, concretizar este meu (já) hábito diário. Assim e depois de atiradas todas as culpas à porcaria da netcabo (catarse!), posso discorrer sobre os acontecimentos que marcaram os meus últimos dias enquanto passageira da Carris.
O croché da era moderna. Desembaraçar calmamente os fios do mp3 enquanto se espera pelo autocarro. Hoje dei por mim sentadinha no banco da paragem, perfeitamente absorta nesta actividade de puro relax. Achei que se alguém reparasse, me iria achar muito parecida com uma avózinha a tricotar as botas para o seu netinho e achei graça. Achei graça porque não me pareço com nenhuma velhinha, mesmo que parecesse nunca tricotaria botinhas para o meu neto (ia ao Continente e comprava umas já feitas!) e no entanto as semelhanças eram incríveis. Decidi então apelidar (já repararam como gosto de criar neologismos?) esta novíssima actividade de Croché do Milénio (do segundo para quem ainda tenha dúvidas). Claro que, como tudo me acontece nas piores alturas, quando estava todo enrolada nos fios, tentando perceber qual era o auscultador correspondente ao ouvido direito e o correspondente ao ouvido esquerdo, o cigarro numa mão quase a queimar-me os dedos, o bilhete na boca, os óculos escuros a escorregar pela cara (bolas, tenho que comprar uns óculos escuros novos - aceitam-se doações em 1ª mão claro e de Chanel para cima), após cerca de vinte minutos de espera, chega o autocarro. Não podia ser em melhor altura. Enfim... Lá entrei para o autocarro meio embrulhada em fios e sentei-me num daqueles fantásticos lugares independentes, junto à janela (raríssimos de apanhar). À minha frente estava uma senhora, nos seus 30's, a ler. Fiquei pasma! Num país em que os hábitos de leitura são tão reduzidos quanto o dinheiro é na minha carteira (acreditem que é MUITO reduzido!), senti uma onda de felicidade percorrer o meu corpo. De satisfação e pensei " Ahhh ao menos alguém que me ajude a contrariar as estatísticas!" (bom, eu não leio no autocarro, porque enjôo terrivelmente, mas leio noutros sítios que me abanem menos). Nisto, debrucei-me um pouco para a frente, muito discretamente, para tentar perceber que livro era. O título do livro deixou rapidamente de ter interesse, isto porque reparei que a senhora tinha o livro numa capinha de plástico transparente, tipo mica, para proteger o livro! Fiquei desmoralisada. Mas proteger de quê?! Proteger para quê?! Só alguém que não goste de ler é que faz uma barbaridade destas! Como é que ela cheira o livro? Como é que ela lambe e dobra as páginas com todo aquele preciosismo? Não é possível. Para mim, um dos prazeres maiores de ler um livro é cheirá-lo, senti-lo, molhá-lo, lambê-lo, torcê-lo, ou seja, usá-lo. Fazer dele nosso. Nossa propriedade. Fazer da história a nossa própria e vice-versa. Agora, expliquem-me. Como é que esta senhora, por mais que o leia (se é que o faz sequer), poderá alguma vez, entruncar-se com o livro? Torná-lo seu confidente, seu amigo, seu amante?... Não consigo perceber.


Não consigo perceber, mas vou ler um livro de seguida e talvez consiga ou não ficar a perceber. Mas uma coisa é certa. Vou fazer mais um amigo.

Post Scriptum: Este post é dedicado ao meu mano (sim, eu sei que vens cá todos os dias à socapa ler JPG!)



Wednesday, July 23, 2003

Dia 6

Foi feita uma descoberta arqueológica... E como tal, vou dedicar o post de hoje a essa descoberta (e porque também hoje não andei de autocarro!...). Assim, veio à luz um documento paliolítico de extrema importância para o futuro da Humanidade em geral e para os corações empedernidos dos meus leitores, em particular... Para que não se pense que eu apenas me dedico à sátira, aqui vai um bom exemplo do contrário:
"
Adoro a aventura,
Adoro o imprevisto!
Diz a joaninha ao entrar segura,
pelo túnel sinistro
desta fechadura.

Quem escreveu esta estoria foi a Ana Ataíde para o Pai e parabém! Pai gosto mesmo muito de ti és meu amigo não sei se toda a gente gosta de ti obrigado de me dare todo que eu quero porisso é que gosto de ti. Quem fez este poema foi a Ana. "


Bom, esta carta deliciosa foi escrita para o meu Pai quando andava na segunda classe. Ele descobriu-a e guardou-a no sítio de onde nunca deveria ter saído e onde nunca mais se vai esquecer onde a pôs...
Conhecem assim a vertente delicodoce da mais endiabrada, pérfida e viperina autora de todo o blogoespaço!

PS: Pai, não gosto de si *só* porque me dá tudo o que eu quero, mas também.....


Não se preocupem.... amanhã já estarei normal outra vez.


Tuesday, July 22, 2003

Dia 5

Hoje foi um dia perfeitamente fora do vulgar. Depois de esperar cerca de 45 minutos na paragem por um autocarro, qual não é o meu espanto quando aparece um daqueles novos, de piso rebaixado, todo aerodinâmico, air-bags laterais, ar-condicionado de série, jantes de liga leve. Pensei "Óptimo! Vou andar no topo de gama dos autocarros!" Mal entrei, arrependi-me logo. Estava ajoujado de gente e mal as portas se fecharam atrás de mim, as belíssimas janelas panorâmicas (totalmente vedadas) estavam fechadas e sem a mínima hipótese de serem abertas! E talvez para poupar o maravilhoso combustível feito à base de plantinhas, o ar- condicionado estava pura e simplesmente... desligado. Não deve ser difícil imaginar o resultado de cerca de 50/70 pessoas enlatadas num espaço prefeitamente vedado! Foi uma das experiências mais desagradáveis da minha (ainda curta) vida. Depois de muito amachucada, apertada, sufocada, chegámos à paragem da Paça do Chile e reparei que estava toda a gente a sair. Mas toda a gente mesmo! Meia atabalhoada saí também e só depois percebi que o novíssimo 42 ia só até ali. E fui eu gastar mais um buc!

Naturalmente, cheguei atrasada, cansada, suada, amachucada ao meu destino. Vida de pobre!

Saturday, July 19, 2003

Dia 4

Há coisas que me fazem uma confusão tremenda. Há um velhote naquela bendita carreira, que parece estar em todo o lado, ao mesmo tempo! Desde que tenho estado mais atenta ao quotidiano deste autocarro, que esta questão me tem vindo a atormentar. O senhor está sempre nos mesmos autocarros que eu, às mesmas horas e (espante-se!) quando saio, ele já está noutro sítio qualquer, seja no café ou noutra paragem. Às vezes, tenho a sensação de para onde quer que olhe, ele vai estar sempre lá... Tipo Twilight Zone. Se bem que esta Zona seja especialmente mais Twilight no cemitério do Alto de S. João.
Mas, o que quero mesmo falar-vos hoje, é das regras de etiqueta adoptadas por todos os usuários deste maravilhoso meio de transporte. E as regras de etiqueta são para se cumprir! Decidi chamar-lhes autoquette. Ora, a regra básica da autoquette, começa (ainda!) na paragem e é relativa à ordem de chegada dos utilizadores... Assim, Quem chega primeiro à paragem tem direito a entrar primeiro no autocarro (penso que deva ser para chegar mais rapidamente aos lugares recentemente vagos) e caso algum de nós tenha a (péssima) ideia de furar o esquema, imediatamente saltam 5 velhinhas do fundo da fila apupando-nos e bradindo os seus chapéus-de-chuva (ou de sol, conforme o caso, mas elas têm sempre alguma coisa para apontar para o céu). Uma experiência terrível, que desaconselho vivamente. Por outro lado, se alguém nos passar à frente, podemos lançar um olhar altamente mortífero à mais velhinha e impotente pessoa que se tenha lembrado de tal indignidade, sem sofrer consequências nenhumas (muito pelo contrário, as outras pessoas usualmente apoiam, lançando olhares de reprovação como quem diz "Já devia ter idade para ter o mínimo de consideração!"), dando-nos uma vez mais, o maravilhoso efeito de catarse de todas as nossas frustrações quotidianas (farto-me de poupar dinheiro em sessões num psicólogo, graças a estas velhinhas e quanto mais velhinhas, mais eficaz é o efeito).
Segunda regra a não esquecer: nunca, mas nunca, nunca, nunca, NUNCA... se sentem nos lugares reservados (devidamente assinalados a vermelho, para que todos estejam conscientes do perigo que correm se o fizerem) aos idosos (palavra lisonjeira, no que se refere ao 42, já que 99.99% da população passou de validade há muito) e grávidas, mesmo que o autocarro esteja completamente vazio! Isto porque, podem ter a má sorte de entrar apenas uma velhinha irritante (é mais do que suficiente) e vir direita a nós com o dedo todo encarquilhado graças às artroses, com passinhos que nada devem às gueixas (Parkinson para os amigos), o inseparável Sonotone pendurado no ouvido, geralmente vestidas de preto (o marido há muito que preferiu ir desta para melhor) e sempre, mas sempre, sempre, sempre.... ajoujadas de sacos, dizendo "Menina, dá licença de me dar o seu lugar?". Não importa que o autocarro esteja às moscas. Não interessa. Não é importante. O importante é que nós não somos nem idosos, nem grávidas, logo não podemos estar a conspurcar aqueles lugares sagrados. Por isso, se virem alguma que se assemelhe (ainda que palidamente) a esta descrição, ponham-se ao fresco, ou ainda se habilitam a ouvir a história toda da vida dela, de como ela recebe pouco da reforma, de como a vida está tão cara (tudo por causa dessa cambada de chupistas e de ladrões do Governo! :)), de como gasta mais de metade da reforma em medicamentos, de como os filhos emigraram para o Canadá (eu também teria emigrado no lugar deles), de como a sua mais velha está bem instalada na vida, de como correu a sua (mais recente) operação às varizes... Por isso, se querem evitar todo este transtorno, por favor mantenha-se longe desta forma de vida.


O Auto-de-Fé vai de fim-de-semana, pelo que deseja a todos um santo descanso.

Friday, July 18, 2003

Dia 3

O Auto-de-Fé é já um sucesso!!! Após ter sido adicionado ao directório do Sapo (a par de VIPs como o Abrupto de JPP ou do Meu PIPI) e de contar já com um fórum de opiniões, um contador de visitas e até de um cartoon (renovado diariamente), ter sido adicionado ao ptBloggers (obrigada, Carlos!), é já conhecido fora da minha esfera familiar. Ou, pelo menos, vivi essa ilusão durante cerca de 3 milésimos de segundo. Estava eu paradinha na paragem a roer as unhas calmamente, abandonada aos prazeres que uma boa pele arrancada no momento certo pode trazer (não se deve arrancar muito cedo, porque estão geralmente verdes e faz sangue) ao som dos Evanescence, quando uma velhinha me toca no braço. Perfeitamente esgazeada, tonta de felicidade, quase que me abracei a ela dizendo "obrigada, obrigada... Eu vivo para vocês! Vocês é que dão razão à minha existência!!". Felizmente, retraí-me. A velhota gesticulava furiosamente (ela não deve ter a mínima ideia do que seja um leitor de mp3, imagine-se!)... Depois de tirar os auscultadores dos ouvidos, ela disse "menina, menina... olhe estão ali uns senhores num carro na avenida a acenar-lhe" Eu olhei, ainda mais aturdida e pensei "Ainda melhor!!! Já param os carros por mim!! Ahhhh o poder!! Ahhh a fama!!" Ainda estava neste estado de espírito, preparando-me para lhes acenar de volta (tipo Queen Elisabeth), quando um senhor de bigode, num Peugeot 206 (bom, ainda não era um Jaguar, mas esses são sempre mais tímidos, mais Jet7... mas também podia ser pior) diz "Não, não!!! A outra! A outra!", apontando para uma senhora estupidamente obesa, com um vestido repleto de papoulas vermelhas estampadas num fundo cinzento (de um bom gosto a toda a prova), que ainda evidenciava mais as suas curvas luxuriantes (!). Como devem imaginar, fiquei despedaçada. O facto de ter sido preterida por um molho de papoulas deixou a minha auto-estima com níveis nunca antes vistos e disse, com ar mal disposto "Ah... olhe minha senhora, minha senhora... olhe... MINHA SENHORA!! Aqueles senhores ali acho que a conhecem" Ela ao princípio assustou-se um bocadinho com a minha brusquidão mas, caros leitores, há coisas na vida que não conseguimos, nem devemos evitar (sob pena de o nosso subconciente ficar sobrecarregado de coisas más, que mais tarde resultam em pesadelos, neuroses, psicoses... tudo coisas perfeitamente evitáveis) e assim, esta simples frase teve o efeito terapêutico esperado. Senti-me logo consideravelmente melhor. Mas a senhora não sabia lidar com a fama. Sorriu nervosamente para o senhor (que entretanto lhe perguntou para onde ia e se queria boleia) e disse um "Não, obrigada..." tão sem-graça, que o próprio senhor se deve ter sentido do tamanho de uma migalhinha naquele momento... Dá Deus nozes a quem não tem dentes! (não consegui reparar bem, mas aposto que ela não tinha nem um!). E como diz um antiquissimo ditado inglês... In a land of toothless, the one that has one teeth, rules!



And i certainly do!

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